quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

[Resenha] Lolita - Vladmir Nabokov

Oi gente!
Hoje vim contar pra vocês a minha mais longe odisseia literária: a leitura de Lolita.
Levei cerca de 8 meses pra terminar um livro de pouco mais de trezentas páginas, pra vocês terem uma noção do nível de dificuldade da leitura. Mas calma, que eu explico.
Depois de ver tantas boas críticas por aí, tanto em blogs quanto vlogs e até no próprio skoob, comprei o livro esperando nada menos que uma leitura deliciosa... e me decepcionei completamente.
Lolita, pra mim, foi o livro mais difícil de ser lido até hoje - e isso quer dizer alguma coisa, se levarmos em consideração que já li mais de 300 livros.
Esse clássico não me entediou, não me decepcionou, e nem me fez sentir falta de conexão com os personagens. O que realmente me incomodou, por páginas e páginas seguidas, foi o tema: pedofilia.
Justamente o que faz todos gostarem tanto, foi o que incomodou excessivamente.... mas é mais do que isso, e é complicado! Hahaha.
Vem comigo que eu te conto.

Uma das teorias do Iluminismo é que existe uma distância entre a mente e aquilo que ela pensa, e que essa distância é algo bom. Também diz que existe uma certa distância objetiva adequada entre quem percebe e o que está percebido: tudo que está perto ou longe demais simplesmente fica fora de foco.
Acho que o que mais me incomodou foi que não consegui alcançar essa "distância correta", porque Humbert (o protagonista) parecia ser uma pessoa real. O livro é unicamente narrado pelo ponto de vista dele, que basicamente descreve toda a sua relação com Lolita (que na verdade se chama Dolores), nos menores detalhes. Não há descrições de cenas de sexo, embora esteja presente sim enquanto o enredo se desenrola. Mas Humbert enfatiza o lado psicológico da relação, explora o que ele sentia durante cada momento, os pensamentos por trás de cada ação.
E isso, meus amigos, por trezentas páginas seguidas, foi uma verdadeira tortura.
Humbert tenta convencer o leitor, nas páginas do livro; assim como tenta convencer os jurados (já que o livro é uma 'transcrição do julgamento/memórias') que ele é uma simples vítima, quer seja do acaso, da biologia, do destino, ou até da própria Lolita. Se denomina "um monstro", "degenerado" e coisas do gênero, mas não demonstra nenhum arrependimento, apenas enfatizando ao longo da narrativa que "quer ser compreendido".
Isso foi tudo que consegui extrair do enredo, exceto: esse é o pior livro que já li na minha vida.
O livro é considerado uma grande obra de referência segundo o "Facts on File: Companion to American Short Story" e diversas outras referências, e eu absolutamente discordo que uma menina de 12 anos, vivendo nos anos 50, sequer soubesse o que era ser "erótica"; e ainda que soubesse, não creio que essa seria a palavra exata. Mais um aspecto desse livro que não entendi, isso sem citar do excessivo renome e o peso de ser "um clássico da literatura mundial". O livro não explora os malefícios nem os benefícios da pedofilia, quer seja sob o contexto da época ou não; apenas descreve nos mais mínimos detalhes a psique de um pedófilo, pura e simplesmente.
Além do enredo simplesmente impalatável e sem sentido, o autor é o narrador mais descritivo que já li, a tal ponto que fica até difícil explicar. Acho que uma boa analogia é um romance vitoriano multiplicado por 10, com suas incansáveis descrições de cidades, hotéis, paisagens, fisionomias,  roupas, comportamento, alimentação, até estradas e rodovias!
Ainda queria falar de mais umas mil coisas que me desagradaram nesse livro, referente ao enredo em si e sua total falta de sentido, mas quero evitar os spoilers.
Sei que muitas pessoas (muitas mesmo!) amaram o livro, tantas que até me sinto mal por ter odiado tanto; mas, lembrando a minha frase acima no post, talvez eu não tenha visto com a distância adequada, e o enredo tenha ficado fora de foco.
Humbert apenas pareceu real demais pra mim, as manipulações psicológicas muito parecidas com as que ouvimos frequentemente nessas histórias pavorosas sobre pedofilia; o ponto mais baixo do livro (e isso quer dizer alguma coisa, em um livro que eu praticamente detestei tudo) foi a culpabilização da vítima; quando ele passa por capítulos e capítulos tentando nos convencer que, na verdade, ele foi seduzido por Lolita, e não o contrário. Impalatável nunca foi uma palavra tão adequada!
Primeiro (e esperançosamente único!) livro na minha estante com uma de cinco estrelas.
Dito isso, tenho um super pedido pra fazer. Vocês que já leram o livro, por favor!, me contem porque gostaram tanto, qual foi a(s) característica(s) dos personagens que cativaram vocês, o que existe no enredo que torna esse livro um "clássico mundial", na sua opinião. E por favor, não digam o erotismo!! Hahaha.
Desculpem trazer uma resenha tão negativa; os que acompanham o blog sabem que eu raramente me dou o trabalho de escrever sobre livros que não gosto. Mas Lolita é um caso a parte, porque além de ser quase unanimidade entre os leitores, também é um "clássico da literatura mundial". Por ter odiado tanto, eu tinha que falar desse livro!
Para os que quiserem mais informações e não se importam com os spoilers, recomendo a leitura desse artigo na Wikipédia narra todos os principais acontecimentos do livro. Só queria deixar claro aqui que pra mim, cortando todos os dramas psicológicos sem sentido e as incontáveis descrições, Lolita poderia ser exatamente esse artigo: dez páginas, no máximo. E ainda seria ruim! Hahaha.
Acho melhor parar por aqui, e esperar que vocês não me odeiem nem nada. Juro juradinho que tentei gostar! Hahaha.
Bjos & Até a Próxima!


Um gif que descreve minha reação, depois de esperar
por 300 páginas que o livro fizesse algum sentido



Sobre reler Lolita ou ler qualquer obra de Nabokov
HAHAHA