sexta-feira, 18 de julho de 2014

[Resenha] Band of Brothers - Stephen E. Ambrose

Oii oii gente!
Como estão nessa gloriosa e gelada sexta-feira? Por aqui a temperatura está por volta dos 18ºC há uma semana, e até aí tudo bem! O ruim é quando chega a noite e ela resolve cair, já chegou a 11º e nem estamos no auge do inverno, oh God!
Não detesto o frio mas prefiro muito mais o calor, por isso a solução é um chocolate quente, pijama quentinho e muito edredon, porque ainda estou de férias e podendo me dar a esse luxo, que vai durar menos de vinte dias a partir de hoje :(
O lado bom é que a ordem do dia se torna muita leitura!
E foi em uma dessas tardes frias que comecei a leitura de Band of Brothers, que me conquistou a cada página e me deu uma vontade absurda e duramente controlada de rever a série inteira novamente!
Se você também gosta de livros de guerra, e curte uma narrativa bem histórica, Band of Brothers é o livro certo pra você.
Já estou sofrendo só de pensar no Oscar Literário desse ano...


Band of Brothers (Companhia de Heróis) é o relato, obtido em primeira pessoa através de entrevistas, cartas e diários dos membros da Easy Company.
A Easy Company, 506° Regimento de Infantaria Pára-quedista do exército norte-americano, foi uma das melhores companhias de fuzileiros do mundo. Eles foram os responsáveis por tudo, do salto de pára-quedas na França nas primeiras horas da manhã do Dia D à captura do Ninho da Águia, a fortaleza de Hitler em Berchtesgaden. 
O livro engloba com todos os detalhes fascinantes tudo que envolve a formação da Easy Company, desde o recrutamento, treinamento (considerado até hoje um dos mais severos administrados pelo exército americano), combate e pós guerra. O autor nos leva a cada etapa com maestria nos detalhes, entremeando as opiniões e comentários dos próprios soldados.
O que mais me fascinou no livro foi o choque de realidade. Eu assisti a série antes de ler o livro, e embora seja de longe uma das melhores séries que já vi (consta com certeza entre o meu Top 10 Séries!), sempre ficava aquela impressão de "mais um filme de guerra". No livro, o aspecto humano de cada etapa da formação da Easy e consequentemente, da guerra, é mais cativante que o relato dos fatos em si. Band of Brothers é o relato dos homens dessa admirável unidade que combateram, passaram fome, sofreram com o frio e morreram, uma companhia que teve 150% de baixas e considerava a medalha Purple Heart um distintivo. 
Como acadêmica de Fisioterapia, um dos temas que sempre me chama a atenção é a capacidade física dos soldados. E a Easy Company é uma fonte sem fim de informações sobre isso. O treinamento, de tão rigoroso, deveria ser voluntário. Corridas com armamento completo e racionamento de água eram feitos diariamente, marchas forçadas faziam parte da rotina, assim como testes de aptidão física e psicológica. Ainda sim, 94% dos candidatos foram aprovados, para o assombro dos comandantes. Durante os combates, passaram fome, quando ficaram sob cerco por mais de 3 dias, passaram frio, porque durante o cerco as temperaturas eram muito abaixo de zero e o único lugar "seguro" eram as trincheiras em solo congelado; foram bombardeados (duas vezes!!); fizeram saltos sob intenso tiroteio, em noite fechada, sob território inimigo desconhecido. Simplesmente assombroso, e totalmente justificável a enorme quantidade de baixas sofridas pela Company, que atuou desde o primeiro até depois do último dia da Segunda Guerra Mundial.
Notável também era o sistema de comunicação que a Easy usava, muito a frente do seu tempo, com mensagens de rádio, mensageiros e sinalização com as mãos - todos os recursos usados de forma mais eficiente possível. Os avanços e retiradas, treinados em Toccoa exaustivamente (do tipo que no final, socorriam os soldados com macas!) foram feitos à perfeição, exatamente como rezam os manuais de guerra. A evacuação dos feridos também era feita com a mesma e tranquila eficiência (meu segundo maior ídolo, aliás, é o enfermeiro de campo Eugene Roe). A coordenação das ações com a artilharia britânica era excelente.
O autor não poupa nem as maluquices de certos soldados da Easy, como o praça Joe Ramirez, que achou uma boa ideia retirar todos os pinos das granadas de mão, para "facilitar o ataque". Ou a frustração do comandante Winters ao tentar iniciar um ataque surpresa em campo de batalha aberto: "O barulho de uma metralhadora leve sendo carregada, com o ferrolho sendo puxado duas vezes para trás e depois solto, pode ser ouvido a meio quilômetro de distância numa noite silenciosa. Todas as tentativas de mantermos silêncio e surpreendermos os alemães foram desperdiçadas por nada”.
Histórias tristes também não faltam, é claro, e a do soldado Frederick "Fritz" Niland foi uma das que mais me comoveu. Qualquer semelhança com o enredo do filme O Resgate do Soldado Ryan não é mera coincidência!

Frederick "Fritz" Niland
fonte: 101AirBorne
"No dia anterior, Niland tinha ido até a 82ª para ver seu irmão Bob, apenas para descobrir que ele havia sido morto durante os combates do Dia D. Niland então pegou uma carona para alcançar a posição da 4ª Divisão de Infantaria e visitar o outro irmão, que era líder de pelotão. Esse também tinha sido morto no Dia D, na Praia de Utah. Na época em que Fritz voltou para a Companhia E, o capelão Francis Sampson estava procurando por ele, para dizer-lhe que um terceiro irmão dele, piloto no teatro de operações China-Burma-Índia, tinha sido morto naquela mesma semana. Fritz era o único sobrevivente entre tantos irmãos, e o exército queria tirá-lo da zona de combate o mais rapidamente possível. A mãe de Fritz tinha recebido todos os três telegramas do Ministério da Guerra no mesmo dia. O capelão Sampson acompanhou Fritz até a Praia de Utah, onde um avião levou Fritz para Londres, a primeira escala de sua viagem para os Estados Unidos."

O companheirismo dos integrantes da Easy me fizeram chorar em vários momentos. A facilidade e a frequência com que encaravam a morte, algumas ocasiões várias vezes em um mesmo dia, afetava cada um de modo diferente, mas o companheirismo era unânime. A coragem era maior do que simplesmente entrar para o exército, era maior que serem voluntários para a companhia mais perigosa e com o maior número de baixas. A maior coragem de todas era morrer uns pelos outros, como o livro narra em várias ocasiões. Eram tão próximos uns dos outros que, quando algum deles se feria, voltava no menor tempo possível, porque na época era parte da política dos comandos das unidades aerotransportadas fazer soldados feridos em combate voltar para sua companhia de origem; na infantaria, quando os feridos se recuperavam e ficavam prontos para voltar ao serviço, eram encaminhados para onde quer que fossem necessários. (Essa política dos aeronautas era, na opinião de todos os paraquedistas, uma das coisas mais sábias que seus comandantes tinham feito; já a política para a infantaria era, na opinião de todos, uma das maiores idiotices criadas pelo exército.)
Um dos exemplos desse companheirismo foi a situação do sargento Talbert, que sabe-se lá porque diabos, resolveu que era uma boa ideia usar um sobretudo alemão na hora de vistoria noturna das guardas. O praça Smith, meio dormindo e meio acordado, viu a silhueta e não exitou um segundo: atacou o "inimigo" a golpes de baioneta... Foi a segunda baixa no mesmo dia, já que o soldado Gordon foi seriamente ferido pela explosão de uma granada. O autor nos conta sobre o retorno deles para a Easy:

Floyd Talbert
Fonte: Army - Together We Served
"O sargento Talbert voltou para a Easy no mesmo dia que Gordon. Uma vez que seu ferimento tinha sido infligido pela baioneta do praça Smith, em vez de pelo inimigo, ele não teve direito a receber a Purple Heart. Gordon disse a ele que não se preocupasse, pois ele mesmo poderia condecorá-lo com uma das medalhas que recebera. O 3º Pelotão reuniu-se e preparou uma cerimônia digna para Talbert. Gordon e Rogers tinham feito um poema para imortalizar Talbert, Smith “e a baioneta que se interpusera entre eles”. O título do poema era “A Noite da Baioneta”; infelizmente para a posteridade, o poema não foi preservado (ou talvez seus autores tenham se recusado a repassá-lo a mim para incluí-lo neste livro). — Eu poderia ter dado uns seis tiros no filho da mãe quando ele tentou furar-me com aquilo, mas decidi que não podíamos nos dar ao luxo de perder um único homem sequer então — declarou Talbert, indignado."

Essa história fiz questão de contar pra vocês, porque é um exemplo perfeito de certos enredos que estão sempre presentes em filmes de guerra, e que a gente sempre pensa que não passa de um clichê. Quase caí de costas de tanto rir quando li esse trecho, porque já tinha me emocionado muito com o relato do "acidente" do Talbert, ele mal tinha entrado na guerra e combater era o seu maior sonho, tadinho! O bom é que no final deu tudo certo, fora a zoação, e ele pôde voltar a Easy Company como ele tanto queria. Ele sobreviveu à guerra e viveu até os 59 anos de idade. Ah, quanto a isso não se preocupem: o livro engloba o pós guerra e acompanha os membros da Easy até a sua velhice, contando o que aconteceu com cada um. Nas últimas páginas tem dezenas de fotos, uma mais cativante que a outra!

Classificação da Mari: 

Enfim, me diverti, me emocionei e no final, fiquei completamente fascinada pelo livro. Esperava uma certa lentidão na leitura, porque afinal, trata-se de um livro praticamente histórico, e não uma novela ou romance. Mas a verdade é que simplesmente devorei e terminei em tempo recorde, com um sorriso nos lábios e uma vontade IMENSA de rever a série novamente. Classificação cinco de cinco estrelas com certeza!

Série Band of Brothers

Segundo as fontes que eu consultei, existem diversos pequenos e grandes erros cronológicos tanto no livro quanto na série. O nível de fidelidade da série em relação aos livros pode ser medida apenas por esse detalhe: os erros são os mesmos, em ambos! E por isso é impossível, mas impossível mesmo!, não se apaixonar pela série. De brinde, temos a atuação impecável e inigualável de Damian Lewis como Major Winters, além de atores de peso como Ronald Livingston, Matthew Settle, David Schwimmer, dentre outros. Conta com a produção executiva de nada menos que Steven Spielberg e Tom Hanks, que na minha humilde opinião, superou a produção de O Resgate do Soldado Ryan!
São 10 episódios de quase 60 minutos cada, que prendem a atenção do começo ao fim. A qualidade das cenas me surpreendeu e me cativou tanto, que minha próxima compra será o box da temporada completa.
Recomendo com todas as honras possíveis!
Alguns trechos do livro sofreram "pequenas alterações" na série, dos quais sinceramente eu só me lembro dois. Não vou contar o que é, para não correr o risco de spoilers, mas segue os pequenos trechos conforme está no livro. Ao assistir a série, vocês entenderão! Rsrs.

Cena do episódio 2 - "Day of Days"
Fonte: Internet Movie Firearms Database

Pouco depois, lembrou-se de que Liebgott, bom combatente, tinha a fama de “ser 
muito duro com os prisioneiros”. Além disso, ouviu Liebgott responder à sua ordem 

com as palavras: 



— Ah, ótimo! Eu cuido deles.

— Temos 11 prisioneiros — Winters disse a ele —, e quero 11 prisioneiros 
entregues ao batalhão. Liebgott começou a dar sinais de que teria um acesso de raiva. 

Winters baixou seu M-1 até a cintura, tirou o dispositivo de segurança, apontou-o para 

Liebgott e disse: 


— Liebgott, jogue toda a sua munição no chão e esvazie o fuzil.
Liebgott xingou e resmungou, mas obedeceu à ordem.
— Agora — prosseguiu Winters — você pode pôr uma bala no fuzil. Se matar 
um prisioneiro, o restante saltará em cima de você. — Winters percebeu que um oficial 

alemão ficara andando de um lado para o outro, obviamente nervoso e preocupado com 

a euforia de Liebgott quando ele recebeu a incumbência. Ficou claro que o oficial 

entendia inglês; quando ele ouviu as outras ordens de Winters, relaxou. 
Liebgott levou todos os 11 prisioneiros para o QG do batalhão. Winters 
confirmou isso junto a Nixon horas depois. 



Cena do episódio 8 - "The Last Patrol"
Fonte: Jack The Lateriser
"Uma semana antes, o coronel Dobey (que tinha o apelido de “O Louco Coronel de Arnhem”), da 1ª Divisão Aerotransportada Britânica, que havia fugido de um hospital alemão depois de ter caído prisioneiro, atravessou o Reno a nado e contatou o coronel Sink. Dobey disse a ele que havia 125 soldados britânicos, cerca de 10 combatentes da resistência holandesa procurados pelos alemães e 5 pilotos americanos escondidos com a resistência holandesa no lado norte do Baixo Reno. Na noite da operação, Heyliger, os tenentes Welsh e Edward Shames e 17 combatentes escolhidos por Heyliger seguiram em fila do dique para o rio, onde barcos infláveis britânicos tinham sido escondidos na noite anterior. À meia-noite, os Bofors começaram a disparar os projéteis traçantes direto para o Norte. Os combatentes da resistência holandesa fizeram o sinal de V de vitória com lanternas de luz vermelha da margem setentrional. A tropa começou a atravessar o rio remando o mais silenciosamente possível. Os combatentes fizeram a travessia com o coração acelerado, mas não houve incidente. Eles continuaram avançando e logo depois encontraram os soldados britânicos. O primeiro que Stafford viu “abraçou-me e me deu sua boina vermelha, que ainda tenho”. Um brigadeiro britânico deu um passo adiante e apertou a mão de Heyliger, dizendo que ele era o melhor americano que ele tinha visto. Heyliger fez sinal para os britânicos de forma que seguissem para os barcos em fila e pediu que fizessem silêncio. Os britânicos embarcaram; Heyliger fez seus homens voltar para o rio à abaixo;em pouco tempo, todos estavam prontos para partir. Gordon foi o último a voltar, e, na fila de barcos que atravessava o rio, “havia um clima de ansiedade e preocupação”, contou-me. Ele guardava no íntimo a certeza de que os alemães afundariam todos a qualquer momento. Mas não foram notados pelo inimigo. Por volta de 1h30m, todo o grupo estava seguro na margem sul e atravessando a terra de ninguém em demanda da linha de frente americana."

Para finalizar, gostaria de deixar aqui a minha indignação a respeito dos preços da série x preço do livro. O livro sai pela bagatela de R$58,00 + frete (!!!!!) na Livraria Cultura, enquanto o box com 6 DVD's (contendo os 10 episódios) custa apenas R$39,90 + frete no Ponto Frio. Agora eu te pergunto, queridos amigos, EM QUE PLANETA ISSO FAZ SENTIDO?!? Não no meu, com certeza! Mas, fazer o que. Muito contrariadamente vou comprar a série primeiro, porque me recurso a pagar esse valor no livro. Minha opção será com certeza, Estante Virtual!

E por hoje é só!
Beijos e até a próxima =D

Malarkey Vid4 Lok@
HAHAHAHAHAHA


Fontes: