quarta-feira, 19 de agosto de 2015

[Resenha] Fahrenheit 451 - Ray Bradbury (Livro & Filme)

Olá, queridos e queridas! Como estão nessa quarta-feira de inverno? Peço desculpas pela ausência de postagem no domingo, acabei viajando inesperadamente e faltou tempo. Mas, promessa é dívida e aqui estou eu com mais uma resenha dupla!
A obra mais conhecida de Ray Bradbury, um clássico da literatura mundial e um dos precursores do gênero distopia no universo literário, Fahrenheit 451 talvez não seja um livro pra todo mundo. Apesar de entender o ponto de vista dos leitores que não são muito fãs da obra, devo reconhecer: eu adoro esse livro!
O projeto Livros & Filmes continua firme e forte, e através dele já descobri filmes maravilhosos. Falei um pouco sobre O Sol É Para Todos em um post recente, e achei ia ser difícil um filme que eu gostasse tanto quanto ele. Quando me propus a assistir Fahrenheit 451, não sabia muito bem o que esperar, e felizmente, me surpreendi!
Vem comigo que eu te conto tudinho ;)


O Livro

Publicado pela primeira vez em 1953, Fahrenheit 451 é uma ficção científica distópica de dar medo no coração de todos os leitores: relata um futuro em que todos os livros são proibidos, opiniões são consideradas antissociais e o pensamento crítico é suprimido. Retrata uma sociedade disfuncional, totalmente controlada pelo governo (que usa programas de televisão como meio de alienação), em que os bombeiros tem uma única (e desalmada) função: queimar livros :'(
Na sociedade retrata pelo autor, os livros são os maiores perigos para a sociedade. Não só incentivam o pensamento livre e o raciocínio, mas também alimentam comportamentos não aprovados pelo governo (como, por exemplo, a interação com qualquer coisa que não seja um aparelho de televisão).
O enredo retrata a vida de Montag, um "bombeiro" no universo de Bradbury, cuja função é procurar e queimar livros, assim como as casas que os contém; e perseguir os seus donos. Ele considera essa profissão plenamente satisfatória, até que conhece Clarisse, uma vizinha com o pensamento livre e independente, começa a questioná-lo sobre o que ele faz como bombeiro e no que ele realmente acredita. A partir daí o autor nos leva para o cotidiano de Montag e seu papel dentro dessa sociedade, e sua relação com os livros e o governo.
Quando li o livro pela primeira vez, confesso que não gostei muito. Achei muito estranho a escrita do autor e de maneira alguma esperava uma distopia em um livro da década de 50! Hahaha. Mas, a escrita do autor é fluida, rápida, instigante; e acabei terminando a leitura sem perceber, e o pior, sem saber muito bem se gostei ou não do livro. O que é claro, significa releitura! Na segunda leitura, já sabendo melhor o que esperar, foi um sucesso: pude ler melhor, com mais calma, e me deixar levar pelo mundo de Bradbury. Por isso, fica a dica: se você já leu, mas não gostou, pode valer a pena dar uma segunda chance!
Minha classificação final do livro, claro, foi 5 de 5 estrelas. Pode até não ter se tornado um favorito da vida, mas é marcante no coração de qualquer leitor, e o final é simplesmente espetacular!



O Filme

O filme, lançado em 1966, foi dirigido por François Truffaut e tem uma excelente nota no IMDb: 7,2/10. Já tendo gostado do livro, eu estava com altas expectativas para esse filme. Claro que sendo da década de 60, leva um certo tempo pra se acostumar com o cenário e a fotografia do filme, e Fahrenheit 451 já começa diferente: os créditos iniciais do filme não são escritos, são falados; o que gera uma sensação estranha até que você finalmente entende o que é que está faltando no filme! Hahaha.
Mas são apenas os primeiros minutos. Logo em seguida já é possível se deparar com o dialogo abaixo, sentir toda a ironia que o Bradbury quis mostrar e se encantar com esse filme:


"Por que é proibido?"
"Por que torna as pessoas infelizes.Ah, sim. 
Livros perturbam as pessoas. As torna antissociais" - Vendo
o filme em pleno sábado a noite? #ironiamodeON 
HAHAHA

Como adaptação literária, é difícil ter algo do que reclamar: é uma bela adaptação, bem fiel ao livro e bem interpretada, na minha humilde opinião, uma das melhores que já vi. Claro que se deve ter em mente que é um filme da década de 60 de ficção científica; não espere muito dos efeitos especiais. Mas, vencidas essas pequenas barreiras, vale a pena!



Algumas cenas deixam bem claro o tom de crítica política e social que o livro deixa bem claro desde o começo. O autor critica não apenas o governo, mas também a população, o papel e a importância cada vez maior da televisão na vida das pessoas, muitas vezes substituindo a leitura. 
Fica aquela impressão de enredo atemporal e especialmente a relação das pessoas com o governo traz o pensamento de que, apesar de distopia, esse futuro nem é tão improvável assim... Quanto ao desfecho: o final do filme é muito, muito, mas muito lindo mesmo!
No geral, me diverti e me emocionei bastante, tanto com o livro quanto com o filme. Estão mais do que recomendados, e repito: dê uma chance a Ray Bradbury. Fahrenheit 451 tem tudo pra conquistar a mente e o coração dos leitores!