quinta-feira, 15 de outubro de 2015

[Resenha] O Dia D: 6 de Junho de 1944 - Stephen E. Ambrose

Oi, gente!
Espero que estejam conseguindo sobreviver a essa onda de calor infernal e à falta de chuvas, porque aqui no interior não está nada fácil, especialmente para pessoas alérgicas. O jeito é beber bastante água e ficar longe do sol o máximo possível, de preferência acompanhada de um chá gelado e uma bom livro! Hahaha. Foi em uma dessas tardes ensolaradas e quentes que eu me deliciei com essa leitura!
Hoje vim trazer para vocês a resenha de um dos meus livros preferidos da vida, de um dos meus autores prediletos; uma preciosidade no gênero histórico e um livro obrigatório para todos que, como eu, amam o tema Segunda Guerra Mundial.
Acho que depois da resenha (que é praticamente uma declaração de amor) de Band of Brothers, não era segredo para ninguém que eu iria ler mais coisas do autor. Na primeira vez que vi esse livro, me assustei - são mais de 500 páginas! Mas, quando se trata de nosso tema favorito, a leitura é sempre maravilhosa.
Vem comigo!


Stephen E. Ambrose tem um dom único de tornar interessante até os menores e mais corriqueiros fatos, quando se trata de Segunda Guerra Mundial e do gênero não-ficção, eu super recomendo: não existe autor melhor!
Já li inúmeros livros sobre o tema na minha vida de leitora, mas esse é o mais perfeito e mais completo que eu poderia desejar. São mais de quinhentas páginas abordando um único tema, em um período histórico de 24 horas: a invasão dos Aliados à Normandia.
A imensidão da missão e as dificuldades são inacreditáveis. Mesmo lendo tanto a respeito, eu não fazia ideia do que realmente foi o Dia D, e tenho que agradecer imensamente ao Sr. Ambrose por se dedicar tanto: o livro é repleto, do começo ao fim, de relatos em primeira mão; dos soldados em ambos exércitos e dos habitantes locais. 
Tentem imaginar um campo de batalha com quase 90 km de extensão. Tente imaginar barcos levando soldados, tanques, carros de combate e de transporte, suplementos; em uma faixa estreita de areia, pesadamente minada, sob o fogo cerrado de artilharia pesada alemã, sem opção de recuo e com a muralha marítima para transpor. Em uma operação dessa escala, nunca antes e nunca depois, era impossível calcular o número de baixas, e mesmo as estimativas mais humildes eram imensas. No final, mais de 4 mil homens perderam a vida no Dia D, muitos sem sequer alcançar a praia. Morreram para que exista o que hoje chamamos de liberdade.
Tudo a respeito do Dia D é absolutamente fascinante, a começar pela escala dos planos e tudo sendo feito em absoluto segredo. O autor não poupa detalhes para nos contar como esse dia quase nunca aconteceu, e o fardo carregado por aqueles que decidiram que este era o único jeito de invadir os países subjugados pelo nazismo. A mentalidade dos combatentes, a dificuldade dos médicos de campo, os erros e os acertos da primeira - e única! - operação desse nível jamais realizada na história do mundo: tudo isso e muito mais, com a maravilhosa narrativa de Ambrose.
Uma das características que mais gostei do livro é a habilidade do autor em mostrar os erros cometidos, não apenas pelos alemães, mas principalmente pelos aliados. O relato das tropas canadenses, escocesas e britânicas é um dos poucos relatos que já encontrei que seja baseado em relatos dos soldados que estavam na praia, o que me deixou absolutamente fascinada.
Sei que é uma edição super esgotada e que a única opção disponível para a compra é absurdamente cara, mas eu simplesmente tinha que ter esse livro na minha estante! Fiz uma pequena pesquisa da Estante Virtual e não me arrependi: o livro vale cada centavo! Além da história, a diagramação é excelente e as fotos são de tirar o fôlego:


Um dos soldados do 116º Regimento, um dos primeiros a chegar a terra (Omaha), após sofrer um ferimento e aguardando a chegada do resgate. Os soldados eram evacuados via barco (que tinham que ultrapassar minas submersas e a "parede marítima, enfrentando fogo inimigo cerrado) até os navios-hospitais, que se provou ser uma tarefa imensa. Apenas o 116º Regimento teve 90% de baixas, apenas no Dia D.




"Rommel ordenou que enchessem as praias de toda sorte de obstáculos: arame farpado, toras de madeira, postes de metal. Aqui as tropas alemãs corriam para se proteger quando um avião de reconhecimento sobrevoava a praia. Em meados de maio, meio milhão desses obstáculos estavam espalhados."


"Homens do 116º Regimento sob o penhasco abaixo de Colleville. Neste ponto, cerca de 8:00, o plano de operações à Ohama estava paralisado, e as tropas - que tinham perdido suas armas no esforço da invasão - estavam sem chefias e desmotivadas."


"Para atacar a muralha atlântica, os aliados precisavam de embarcações de assalto capazes de desembarcar em terra. Andrew Higgins, de Nova Orleans, projetou o LCVP (barco Higgins) e produziu 20.000 unidades - um dos grandes feitos na guerra."

O livro tem inúmeros pontos altos e eu poderia fácil falar sobre eles em mais dez ou vinte posts aqui no blog, mas tenho que falar de dois pontos chaves. O primeiro é que Catch-22 é totalmente verdade!! O autor no trás o exemplo do sargento Roger Lovelace, piloto da aeronáutica que, no início, tinha que cumprir 25 missões para ir para casa... Depois 30 missões, em seguida 35... Vocês já sabem onde eu quero chegar. No dia D, o Sargento Roger estava em sua 60º missão... de um total de 76. Como eu disse, tudo verdade! Quem ainda não leu Catch-22 eu altamente recomendo, apesar de não ter tido uma experiência tão boa assim de leitura. (resenha aqui)
O segundo ponto, que honestamente, foi pouco citado, foi o papel das mulheres do esforço de Guerra. Apesar disso, Ambrose nos conta sobre o surgimento de "tropas" estritamente femininas, como o Corpo Auxiliar Feminino do Exército (WAAC); a Força Aérea Auxiliar Feminina (WASF) e WAVES (Woman Accepted for Volunteer Emergency Services).  Eisenhower, o líder aliado supremo, disse que "não poderia ter vencido a guerra sem elas"; e levando em consideração que as mulheres não entravam em combate, essa é uma afirmação e tanto. O Japão e Alemanha, por outro lado, estimulavam o papel cada vez mais submisso da mulher: a Alemanha, por exemplo, chegou ao ponto de oferecer compensações financeiras para as mulheres que tivessem mais bebes. 

Oh yes, we can do it!

Apesar do tema pesado, este não é um livro triste. Muitas citações dos soldados são francamente hilárias e se encaixam muito bem no enredo, e cativa ainda mais o leitor.
Por tudo isso e muito mais, esse é um livro cinco estrelas, favorito da vida e um dos TOP 5 livros sobre a Segunda Guerra Mundial que eu já li. Leiam e se apaixonem vocês também! 
Por hoje é só pessoal!
Bjos & Até a Próxima ;)

p.s¹: Os melhores gifs sobre o Dia D




p.s²: O melhor banco de dados sobre a Segunda Guerra Mundial: http://www.wwiiarchives.net/

p.s³: O melhor meme da Segunda Guerra Mundial:

Hahahaha... Eisenhower, seu lindo!